capítulo 14


     Deitado na minha cama olhando para cima, desenho um rosto imaginário no teto, mais é um rosto que também é real e a partir desse rosto relembro momentos, abraços e sorrisos.
     Um silêncio surdo invade o meu quarto, a casa, a rua, a cidade, minha mente e o meu mundo sonolento. Amor quase impossível , um futuro de planos e incerto. No coração uma tristeza sem fim misturada a uma saudade imensa da quela que está longe, precisava está longe, talvez tenha ido se encontrar.
     Me levanto, pego um copo d'água e de repente me torno inanimado como os objetos ao redor, como o meu copo d'água... penso, existo, sinto, penso, sinto, existo... vivo, durmo e acordo de salto como um delírio. Penso que essa solidão combina com o frio, mais a noite é quente e eu estou me derretendo. Volto ao passado e revejo a cena em que andar pela rua e ficar ali na praça jogando conversa fora envolvidos em uma certa magia caminhamos na chuva e as lágrimas divinas dos céus traziam a perfeição aos nossos beijos.
     Eu que não dava a mínima para o tempo, hoje traço planos, crio metas e o tempo se torna tão monstruoso diante de mim. Nada me importava, meu coração era tão frio, que parecia não ter sentimentos em mim. Preciso andar por ai, sentir o vento do outono... Sofrer? Amar? Sentir? De fato eu amo, eu sinto e nesse momento contemplo o meu vazio em meu pensamento, em meu quarto escuro sozinho.
     A dor desapareceu, a solidão foi aceita, a saudade aumenta muito mais. Não estou triste, nem melancólico (talvez um pouco melancólico), estou inanimado deitado novamente em minha cama, o resto da noite é desconfortante e madrugada a dentro adormeço.