capítulo 8




     Sabe? quando bate aquele sentimento que não da para entender de onde veio, só sente-se um imenso mar de solidão ( mesmo quando se está cercado de pessoas por todos os lados) e a vida cai no terror da monotonia. Os dias são iguais, as semanas são iguais e ai não se vive mais, resta um corpo como um zumbi, morto-vivo ou máquina fazendo tudo repetidamente sem nada mudar. A mente se conforma e se torna mais alienada, o trabalho rouba o tempo, os estudos enlouquece a mente que outrora pensava que pensava e um imenso buraco no peito. 
     Os "amigos" somem ou só se importam com seus recados nas redes sociais e não estão nem ai para os motivos de sua falta de atenção. A vida se esvai e o conformismo toma conta. Aceitar essa condição de vida é fechar os olhos e deixar ser levado pela brisa do cotidiano repetitivo e cansativo.
    Não há mais sentimento, nem vontade, nem alegria e nem tristeza e sim a melancolia de acordar cedo, de chegar no horário de mandar a notícia de que ainda há vida no corpo inanimado  desanimado. 

   Não há mais sonhos pois não existem mais planos de se ver no futuro, não há mais amor por que o mesmo parece não existir mais no coração do miserável morto vivo, nem companhia, nem mesmo um bom livro, nem a filosofia. Tudo o que outrora era bom hoje é sem muita importância ou tanto faz. Não é fácil ver um turbilhão de sonhos a se desfazer, e pela janela a bomba nuclear explodir e um manto negro cobrir o que se poderia ter e tudo parece ser tão real agora.
   A noite vai chegar e não há por que sonhar, ao sorrir se esconde o sofrer e então guarde o que sobrou pois o amor jaz aqui.
   É assim que me sinto seguindo nesse furacão que eu sei -e só eu sei- que em breve vou desfalecer  mesmo assim ainda resta a esperança que me traga de volta a vida e arranque de mim esses pensamentos suicídas.